segunda-feira, 21 de maio de 2018

Pressão do Dólar



Os mercados globais e, principalmente, os emergentes vêm sofrendo com a aceleração do dólar. O movimento parece que veio para ficar diante das turbulências geopolíticas, e das saraivadas de Donald Trump no oriente médio.
Por aqui o comportamento é de proteção dos investidores e de empresas diante das turbulências internacionais. Neste sentido, tem acontecido uma corrida por hedge (proteção) por parte de empresas e investidores que têm compromissos em moeda estrangeira. Este fenômeno vem impulsionando as cotações do dólar à vista nas últimas semanas no Brasil.
O gatilho para este movimento do dólar foi à perspectiva de elevação dos juros nos Estados Unidos e as preocupações em torno do comércio internacional. Assim, com a expectativa de juros mais elevados nos EUA, aumentou a tendência de saída de dólares de países emergentes. Um dos exemplos mais claros disso é a Argentina, onde a fuga de divisas acabou por forçar um acordo de auxílio com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No Brasil a coisa acontece diferentemente de outros emergentes. O mercado brasileiro é mais sofisticado que seus demais pares emergentes. Temos outros instrumentos. Daí, em um primeiro momento, em vez de saírem correndo do País, os investidores buscam proteção.
No final de março o dólar comercial chegou a R$ 3,30; em abril bateu em R$ 3,50 e hoje dia 21/05/2018 chegou à cotação de R$ 3,69, atingindo uma variação porcentual de 11,82% ante o real, nesse período.
Dados da B3 (a Bolsa de Valores de São Paulo) mostram que a compra de dólares a termo pelas empresas aumentou 9,7% de março para abril. Certamente, são empresas que em alguns meses terão de pagar algum compromisso no exterior e que, em função do avanço do dólar, decidiram travar agora as cotações.
Muitas empresas que não fizeram o hedge lá atrás estão buscando a proteção agora, afirmam especialistas. O medo é de que, com a pressão vinda de fora e as indefinições em torno da eleição presidencial no Brasil, a alta do dólar continue nos próximos meses.
A disparada do dólar aumentou em R$ 115 bilhões, o total que bancos e empresas terão de desembolsar para fazer frente às dívidas no exterior, ainda que os empréstimos na moeda estrangeira não tenham crescido, a variação cambial faz com que sejam necessários mais reais para pagar o mesmo compromisso. O quadro pode gerar ainda mais preocupação com a informação do Banco Central de que 46,9% das empresas com dívida em dólar não contam com proteção à variação do câmbio.
Dados do BC mostram que a dívida externa de bancos e empresas somava US$ 471,2 bilhões no fim de março. Esse valor inclui empréstimos bancários, títulos de dívida, crédito comercial e operações intercompanhias. Em dólar, o montante não oscila expressivamente há três anos. Convertida para reais, a dívida passou do equivalente a R$ 1,556 trilhão no fim de março para R$ 1,672 trilhão na última quinta (dia 17) - uma diferença de R$ 115 bilhões.
Esse cenário traz preocupação, especialmente, para empresas que eventualmente tomaram crédito em outros países, mas não estavam preparadas para o dólar mais caro.
Dados do Banco Central indicam que quase metade das companhias consultadas em 2014 pelo próprio BC não se protegia contra a oscilação do dólar com o chamado "hedge".
Outros pontos que afetam a cotação do dólar são as crescentes incertezas sobre as eleições no Brasil; o aperto do juro nos EUA que pode ser mais intenso que o esperado; além do surgimento de uma inesperada crise na Argentina que levou o país vizinho a bater no FMI.
A expectativa do mercado é de que a inflação dos Estados Unidos (EUA) suba devido ao aumento dos gastos do governo, da reforma tributária aprovada neste ano no país norte-americano e pelo forte aumento dos preços do petróleo. Com isso, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) deve elevar os juros de forma mais intensa. Na prática, como a taxa básica brasileira está no mais baixo nível da história, e o cenário interno é embaçado por incertezas com as reformas e com as eleições, isso faz com que investidores migrem seus recursos para os EUA.
No Brasil, a subida do dólar pode trazer efeitos positivos para os setores ligados à exportação, impulsionando a balança comercial, mas também prejudicar investimentos em bens de capital, especialmente, em máquinas e equipamentos.
O câmbio é um fator extremamente relevante para as empresas que participam do comércio internacional, seja como exportadoras ou importadoras. O dólar em alta favorece as exportadoras, pois suas receitas são em moeda estrangeira. Já as importadoras sofrem nesse cenário, pois seus custos são calculados em dólar.
Estima-se que 33% dos itens do IPCA (índice que mede a inflação brasileira) sofram influência da moeda americana. É por esse motivo que o dólar em alta preocupa o Banco Central.
Do lado do governo brasileiro, a melhor resposta é persistir no processo de consolidação fiscal, ou seja, de melhoria das contas públicas, que vêm registrando rombos bilionários, pois, avançar na consolidação fiscal é o nosso grande desafio. É preciso continuar trabalhando para aumentar a produtividade da nossa economia, para reduzir custos e torná-la mais eficiente.  


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Default Mineiro



A situação econômica de Minas é dramática. As despesas estaduais superam as receitas há quatro anos e o atual governador insiste em não realizar medidas de ajuste.
Em 2017, o déficit público atingiu R$ 9,6 bilhões fazendo com que a dívida do estado sobre a receita ultrapassasse o limite de 200%, estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ficando o estado proibido de contrair novos empréstimos com a União. Com isso, o estado tem uma das piores notas de classificação – “Nota D” – dada pelo Tesouro Nacional. Não é por menos, pois, somente os gastos com funcionalismo consomem mais de 90% de toda a receita efetivamente disponível para o estado.
Em 2013, a dívida líquida era de R$ 79,1 bilhões para uma receita, de R$ 43,1 bilhões. Já em 2015 a dívida passou a R$ 102,6 bilhões, enquanto a receita ficou em R$ 51,6 bilhões. Em outras palavras: no intervalo de apenas dois anos, a dívida líquida cresceu 30% e a receita 19%. Nesta toada o desequilíbrio é fatal.
O problema, segundo especialistas, está em atrelar uma despesa fixa e difícil de ser cortada, como aposentadorias e salários, a uma receita variável e incerta pela arrecadação baseada em produção de commodities.
É bem verdade que a China reduziu seu crescimento econômico, demandando menos commodities brasileiras fazendo com que os preços caíssem sensivelmente no mercado internacional e Minas é o maior produtor de minério de ferro do país, o que afetou o ritmo de arrecadação do estado. Porém, os gastos públicos estaduais continuaram crescendo, o que não faz nenhum sentido.
A Lei de Responsabilidade Fiscal disciplina as finanças públicas nas três esferas de poder: União, Estados e municípios. Ela estabelece uma série de limites para gastos e prevê punições em caso de descumprimento legal. Mas, a decretação de calamidade financeira, que também está prevista em Lei Fiscal, infelizmente, libera o ente de cumprir exigências como limite de gastos com pessoal, descumprimento do teto de endividamento e o congelamento de despesas por descumprimento de metas fiscais, o que não resolve o problema. Apenas o agrava, não atacando o problema principal.
Assim, podemos dizer que existem causas estruturais e conjunturais para os problemas apresentados. A causa conjuntural relaciona-se à queda de arrecadação de impostos em função da crise econômica produzida pelo próprio partido do atual governo de Minas. Já os problemas estruturais, são os enfrentados pela maioria dos Estados endividados, ou seja, gastos acima da arrecadação, acrescidos de aumento do custo da máquina pública. Uma hora a conta chega!
Outro dado interessante, é que além da má gestão estadual, a atual situação de calamidade do governo tem reflexo da queda da atividade dos diversos setores da economia, e da dependência da economia mineira ao mercado internacional de commodities agrícolas e metálicas.
Assim, Minas Gerais tem dificuldades para cumprir seus compromissos mais básicos, como manutenção de hospitais e pagamento de servidores. E pior, vem deixando de repassar aos municípios mineiros parte dos impostos como ICMS, IPVA, verbas escolares e da saúde. Últimas informações dão conta que o atraso do IPVA fora solucionado em 15 de maio.
Já os professores, na sua maioria, simpatizantes do esquerdismo, bebem do próprio veneno, com os salários e décimo terceiro atrasados.
Tudo isto está ligado aos 428 mil servidores da ativa pendurados no estado, sendo que 90.000 deles têm duplicidade de atividades e de contracheques, algo não permitido pela legislação.
Dados da Lei de Diretrizes Orçamentárias do estado prevê orçamento negativo até o ano de 2020. Somente em 2018 o rombo registrado na LDO é de R$ 8,08 bilhões, ou seja, receita de R$ 92,96 bilhões para uma despesa de R$101,04 bilhões. Já os funcionários do Estado recebem os salários em até três parcelas desde fevereiro de 2016.
Segundo dados do próprio governo, o maior rombo nas contas mineiras advém do déficit previdenciário. Assim, o déficit orçamentário se deve ao desequilíbrio previdenciário, pois, o estado tem que colocar, todo ano na folha de pagamento, R$ 7 bilhões, além da arrecadação para pagamento aos aposentados.
Pois é, o estado vive um estrangulamento fiscal gravíssimo. Somente na Saúde, o governo deve R$ 1,5 bilhão aos municípios. Some-se a isso, a fragilidade política do atual governador devido às denúncias de corrupção e à ameaça do impeachment e a recusa em adotar medidas de ajuste que tenham efeito no longo prazo.
Diante dessa situação, o governo parece jogar nas costas do funcionalismo público os custos da crise financeira, além da precarização do sistema de saúde dos servidores, o IPSEMG.
Na educação, as escolas sofrem com atrasos de verbas para merenda e manutenção desde 2016, as superintendências de ensino de tempos em tempos ficam sem telefone e internet, e diversos servidores estão com o nome no SERASA porque o governo não está repassando o dinheiro descontado dos empréstimos consignados para os bancos. O acordo assinado pelo governo em 2015, que visava de maneira muito lenta, atingir o valor do piso salarial nacional ao final de 2018, se estagnou no ano de 2016 e está longe de ser garantido.
Surge um alento, não por medidas do governador, mas sim, pelo crescimento das exportações, que alcançou 73% no Triângulo Mineiro, 44,4% no Vale do Aço, e 35,4% no Centro-Oeste do estado, fazendo inveja ao aumento de 22% da Grande Belo Horizonte. Assim, as vendas externas de Minas avançaram 28%, em média, para US$ 17,6 bilhões. Isso é o que nos mostram dados estatísticos recentes analisados pela Fiemg, o que provoca mais  crescimento para a economia mineira.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Brasil, Eleições e Economia


Após dois anos de recessão, o ano passado marcou o início, mesmo que lentamente, da retomada do crescimento da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) teve uma alta de 1,1% em 2017 e o Ministério da Fazenda estima um crescimento de 3% em 2018. Porém, a eleição presidencial poderá pôr em risco o crescimento projetado, também de 3% para 2019. Isso porque, aos olhos de investidores e credores do governo, alguns candidatos podem não estar comprometidos com as reformas e o ajuste fiscal promovido  pelo atual governo; e essa incerteza política pode levar a uma queda nos investimentos, por exemplo, em máquinas e instalações produtivas, que, se realizados, poderiam dar um impulso maior ao PIB.
Cabe então a pergunta: é possível que uma agenda de reformas com ganhos no desempenho econômico consiga alavancar um candidato reformista para disputar a eleição de outubro? Parece que sim. Porém, somente o tempo dirá.
Assim, caso um candidato que não defenda as reformas tenha chance de vencer o pleito, o cenário mudará completamente, pois os empresários pisarão no freio diante da possibilidade da agenda reformista e pró-ajuste fiscal não se confirmar. Esse é um grande perigo e um grande retrocesso que ronda o país neste ano.
Caso isso ocorra, os juros tenderiam a subir, já que os credores cobrariam mais para emprestar e os investidores retirariam dólares do país, fazendo com que o real se desvalorizasse. Outros efeitos seriam a alta da inflação, a consequente queda no consumo e o desaquecimento da economia.
Desse modo, as reformas, sobretudo a da Previdência, para equilibrar as contas públicas são extremamente necessárias e podem gerar na economia e na sociedade um impacto positivo no médio e no longo prazo.
Neste particular, precisaremos de candidatos que tenham compromissos muito claros para levar o país de volta à responsabilidade fiscal, social e na gestão da coisa pública, onde não se misture interesses públicos com interesses privados.
Já o desemprego que se encontra elevado, atualmente, na casa dos 12,6%, num quadro anti-reformas, persistiria. Como o custo de contratação é muito alto e as indústrias permanecem com capacidade ociosa elevada,  nas fábricas, em torno de 20% a 25%, os empresários tentarão crescer neste primeiro momento sem contratar, fazendo uso de horas extras, quando necessário.
Por outro lado, existe um ambiente externo favorável justaposto a um aumento, ainda que tímido, da demanda interna. Porém, à medida que as eleições se aproximam, investidores estrangeiros ficam mais cautelosos e dão um passo atrás à espera de definições no campo político, pois, existem preocupações de como o novo governo vai arcar com a responsabilidade do ajuste fiscal.
O atual governo tirou o Brasil do buraco, fez reformas, baixou a inflação e também os juros, porém, a redução das taxas de juros leva um tempo para ter impacto na economia real. Enquanto o mercado reage rapidamente, as empresas levam um tempo para tomar decisões de investimento. Assim, muito do que foi realizado pelo governo no ano passado terá impacto na economia neste ano e nos próximos anos. 
Do lado das empresas, elas têm um cenário externo positivo e os custos de financiamento declinantes por causa das baixas taxas de juros aqui dentro.
A recessão trouxe um comportamento novo nas empresas, a busca pela eficiência e a redução de custos e agora que a economia está reaquecendo, elas se beneficiarão desse processo, com maiores investimentos visando um crescimento do consumo interno.
A Bolsa segue batendo recordes, embora a nota de crédito do Brasil tenha sido rebaixada mais uma vez e a reforma da Previdência foi adiada.
Se olharmos bem veremos que em 2017 os mercados globais de ações, foram positivos, onde o Brasil se destacou. O contexto global de crescimento deu suporte para o mercado acionário, e o Brasil não é exceção. Além disso, a queda da Selic tirou a atratividade da renda fixa para ela se concentrar mais fortemente no mercado de ações.
Lembre-se que os mercados tendem a olhar para frente, e não exatamente o que está acontecendo agora. Daí o olhar para 2019, ou seja, pós-eleição.  
Os eventos políticos são cruciais em decisões econômicas, por isso a volatilidade deve subir; e o Brasil se tornou um caso particular, dado a dificuldade  de se saber quem de fato vai concorrer às eleições. E a reação do mercado pode variar muito, dependendo da disposição dos candidatos em estarem ou não, focados na agenda de reformas, como a da Previdência, e outras medidas de equilíbrio fiscal.
Sob outra perspectiva, dados mostram que não será um mero cálculo econômico que vai decidir a eleição. A corrupção e as questões não estritamente econômicas vão contar mais na cabeça do eleitor neste ano.
A despeito das incertezas, estimativas incorporam um cenário em que o Brasil avance na agenda de reformas, sobretudo a da Previdência, pois ela é uma variável chave para uma retomada econômica sustentável.
Os brasileiros parecem estar alheios a uma possibilidade de um resultado ruim nas eleições. Porém é algo que não se pode descartar.
Por isso, é preciso que encaremos as eleições com maior seriedade, já que é uma das expressões máximas da democracia e da cidadania. Assim, no dia 7 de outubro é o momento correto para irmos às urnas e votar conscientemente, pois cada voto é que proporcionará toda a diferença!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O Liberalismo e um Estado Liberal fariam bem ao Brasil


O liberalismo é um modo de entender a natureza humana e uma proposta destinada a possibilitar que todos alcancem o mais alto nível de prosperidade, de acordo com seu potencial, através de seus próprios valores, de suas próprias atividades e de seus próprios conhecimentos; se fazendo valer do maior grau de liberdade possível, em uma sociedade que reduza ao mínimo os inevitáveis conflitos sociais. Além disso, o liberalismo se apoia em dois aspectos vitais que dão forma a seu perfil: a tolerância e a confiança na força da razão.
Os liberais acreditam que o Estado foi criado para servir ao indivíduo, e não o contrário. Os liberais consideram o exercício da liberdade individual como algo intrinsecamente bom, como uma condição insubstituível para alcançar níveis ótimos de progresso. Dentre outras, a liberdade de possuir bens (o direito à propriedade privada) é fundamental, já que sem ela o indivíduo se encontra permanentemente à mercê do Estado.
Portanto, os liberais também acreditam na responsabilidade individual do indivíduo, não podendo haver liberdade sem responsabilidade. Os indivíduos são, ou deveriam ser responsáveis por seus atos, tendo o dever de considerar as consequências de suas decisões e os direitos dos demais indivíduos. E justamente para regular os direitos e deveres do indivíduo em relação a terceiros, os liberais acreditam no Estado de Direito. Isto é, creem em uma sociedade governada por leis neutras, que não favoreçam pessoas, partido ou grupos quaisquer, evitando, de maneira enérgica os privilégios.
Assim, os liberais acreditam que a sociedade deve controlar rigorosamente as atividades dos governos e o funcionamento das instituições do Estado.
Os liberais trabalham com ideias ratificadas pela experiência de como e por que alguns povos alcançaram maior grau de eficiência e desenvolvimento, com melhor harmonia social; mas a essência dessa maneira de ver a política e a economia repousa no fato de não planejar de antemão a trajetória da sociedade, mas em liberar as forças criativas dos grupos e dos indivíduos para que estes decidam espontaneamente o curso da história. Os liberais não têm um plano que determine o destino da sociedade, e até lhes parece perigoso que outros tenham tais planos e se arroguem o direito de decidir o caminho a qual todos devemos seguir.
No ideário econômico dos liberais a ideia mais marcante é a que defende o livre mercado, em lugar da planificação estatal. Já na década de 20 o filósofo liberal austríaco Ludwig von Mises demonstrou que, nas sociedades complexas, não seria possível planejar de modo centralizado o desenvolvimento, já que o cálculo econômico seria impossível. Mises afirmou com muita precisão (contrariando as correntes socialistas e populistas da época) que qualquer tentativa de fixar artificialmente a quantidade de bens e serviços a serem produzidos, assim como os preços correspondentes, conduziria ao desabastecimento e à pobreza. (Vide Venezuela). Obviamente, os liberais, em linhas gerais, não acreditam em controle de preços e salários, nem em subsídios que privilegiam uma atividade em detrimento das demais.
Para os liberais, a principal função do Estado deve ser a de manter a ordem e garantir que as leis sejam cumpridas. A igualdade que os liberais almejam não é a utopia de que todos obtenham os mesmos resultados, e sim a de que todos tenham as mesmas possibilidades de lutar para conseguir os melhores resultados. Nesse sentido, uma boa educação e uma boa saúde devem ser os pontos de partida para uma vida melhor.
Os liberais são inequivocamente democratas. Acreditam no governo eleito pela maioria dentro de parâmetros jurídicos que respeitem os direitos inalienáveis das minorias. Tal democracia, para que faça jus ao nome, deve ser multipartidária e organizar-se de acordo com o princípio da divisão de poderes.
Embora esta não seja uma condição indispensável, os liberais preferem o sistema parlamentar de governo porque este reflete melhor a diversidade da sociedade e é mais flexível no que se refere à possibilidade de mudanças de governo quando a opinião publica assim o exigir.
Os liberais acreditam que o governo deve ser reduzido, porque a experiência lhes ensinou que as burocracias estatais tendem a crescer parasitariamente, ou passam a abusar dos poderes que lhes são conferidos e empregam mal os recursos da sociedade.
Porém, o fato de que o governo tenha tamanho reduzido não quer dizer que ele deva ser débil. Pelo contrário, deve ser forte para fazer cumprir a lei, manter a paz e a concórdia entre os cidadãos e proteger a nação de ameaças externas.
Os liberais, por sua vez, são totalmente laicos e não julgam as crenças religiosas das pessoas.
Para os liberais, a tolerância é a chave da convivência, e a persuasão é o elemento básico para o estabelecimento das hierarquias.
Que tal?

sábado, 7 de abril de 2018

A quarta revolução tecnológica chega ao campo brasileiro


A tecnologia 4.0 com forte conteúdo digital chega à agricultura brasileira a qual vem inspirando as novas gerações à sucessão no campo. Diante disso, nossa agricultura passa a se utilizar dos conceitos de Internet das Coisas, de Inteligência Artificial e de “Machine Learning” (aprendizado de máquina) para viabilizar tecnologias de ponta no sensoriamento remoto e na captura de dados em tempo real, tanto na agricultura quanto na produção animal. E dentro deste contexto, nasce a agricultura de precisão e de automação com mapeamento através de drones, facilitando o progresso e a administração rural.
Desse modo, o agribusiness brasileiro que já é pujante, vive agora um novo período de transformação na conectividade do produtor rural de forma remota à sua propriedade, às cooperativas de plantio e a agroindústria.
Assim, a adoção dessas tecnologias permitem aos produtores um gerenciamento com maior eficiência de suas propriedades, com planejamentos mais precisos, com controles financeiros adequados, com controles de estoque e de safra, na busca de diminuição de perdas por lotes e por meio de análises preditivas onde a reunião de informações em tempo real vão além da automação. Elas integram os processos, as operações e o gerenciamento da produção, proporcionando profunda capacidade analítica ao produtor.
O mundo digital vem trazendo novas fronteiras ao agronegócio brasileiro, ao lado de oportunidades e desafios em diferentes áreas, onde a inovação e a sustentabilidade se tornaram os principais temas do momento.
A tecnologia corre assim: satélites e drones colhem informações das condições da agricultura, do solo e das condições meteorológicas e repassam em tempo real para produtores e pesquisadores. Sensores instalados nas plantações começam a guiar tratores e colheitadeiras automatizados, reduzindo custos e melhorando a eficiência das safras, além da utilização de diversos tipos de aplicativos que vêm ajudando agricultores e pecuaristas a terem na palma da mão opções para entenderem melhor suas propriedades, suas culturas e criações; bem como auxiliar pesquisadores e entes públicos na formulação de políticas públicas, ajudando os bancos a mensurarem prováveis riscos no fornecimento de subsídios e de empréstimos.
Os exemplos práticos vêm de várias áreas onde se utilizam de aplicativos que avisam aos produtores de leite quando está na época de colocar uma vaca para ser emprenhada; ou mesmo quando um bezerro deve ser desmamado, assim como aplicativos que agregam informações de 1.600 estações meteorológicas do país que processam dados produzindo modelos e estudos para várias culturas, indicando a melhor época de plantio para cada local ou região. Essas previsões são atualizadas diariamente, bem como os índices de seca, as probabilidades de geada, e a quantidade de água no solo, além de outros fenômenos climáticos. Um software permite ainda reconhecer, por meio de fotos, pragas que possam estar assolando as colheitas e indicar tratamentos preventivos e corretivos.
Assim, podemos dizer que as decisões que os agricultores tomavam até algum tempo atrás, com base em sua experiência e na tentativa e erro, pode ser realizada agora com os rigores científico e analítico.
Órgãos públicos como o Ministério da Agricultura e Embrapa também têm feito parte desses desafios através de novas possibilidades e demandas de pesquisadores, de produtores e de associações empresariais de tecnologia através de novas formas de atuação. Assim, no passado recente estes órgãos governamentais atuavam na pesquisa e desenvolvimento, atualmente, têm atuado como facilitadores, fazendo a ponte entre empresas, startups de tecnologia e investidores.

sábado, 24 de março de 2018

“Trekonomics”


Estranhou o título? É natural. Este é um termo baseado no filme Star Trek, conhecido aqui no Brasil como Jornada nas Estrelas, para designar a economia do futuro, ou seja, a economia do futuro de a Jornada nas Estrelas.
Após 50 anos em que a nave “Enterprise” se aventurou pelo espaço sideral, com o capitão Kirk e sua tripulação com a finalidade de  explorar novos mundos e encontrar novas civilizações; essa série de ficção-científica, singular em muitos aspectos, é o tema de vários estudos sérios escritos ao longo de décadas por cientistas políticos, sociólogos, físicos, engenheiros e até teólogos.
Desse modo, vários executivos e pesquisadores do Google buscam criar tecnologias similares às da nave “Enterprise” para aumentar o conforto e facilitar a vida das pessoas por aqui. Nesta mesma direção, o Dr. Martin Cooper, da Motorola, declarou que se inspirou no comunicador usado por “Kirk e Spock” para criar o primeiro telefone celular. Neste mote, várias tecnologias que usamos hoje também são inspiradas por objetos fictícios da série ou dos filmes de Star Trek.
Contextualizando, podemos dizer que a série, Star Trek se passa em um universo onde a guerra, a fome e a pobreza foram eliminadas, bem como outras mazelas sociais, incluindo a discriminação e o racismo. É uma utopia audaciosa, onde a abundância gerada pela tecnologia eliminou também o capitalismo e outros modelos econômicos, até mesmo o dinheiro, embora o “capital” continue existindo, mas definido de outro modo.
A ideia de uma sociedade não monetária, ou “anumismática”, é um dos maiores destaques da saga de Jornada nas Estrelas. É um elemento relevante das ideias tecnológicas na narrativa, como o teletransporte, o tricorder, os torpedos fotônicos, e as naves que voam mais rápido que a luz.
Nesse aspecto, o ambiente da série Jornada nas Estrelas, despertou o interesse do escritor Manu Saadia,  que está escrevendo um livro chamado “Trekonomics”, para discutir a economia e a sociedade humana do século 23; onde a ideia para o livro surgiu a partir de conversas entre o escritor e Chris Black, que foi roteirista da série “Star Trek - Enterprise”.
Em “Trekonomics”, Saadia examina a “pós-economia” do universo da Federação Unida de Planetas, onde o dinheiro é desnecessário porque tudo pode ser produzido em “replicadores”, ou seja, máquinas que convertem energia em matéria e sintetizam desde alimentos até peças para naves espaciais sem custos para o usuário; onde se prevê que a Terra do século 23 conseguiu eliminar as dificuldades da escassez através da tecnologia.
Dentro da ideia de “ausência de escassez” se espera uma sociedade onde dinheiro, preços ou mercados sejam irrelevantes, portanto, não existirá a figura do lucro. Num mundo assim, por que as pessoas dedicariam suas vidas a projetos, carreiras e invenções, sem a expectativa de retorno material? Como avaliar as opções e mensurar os resultados do trabalho sem uma unidade monetária quantificável?
Neste novo contexto o escritor Saadia admite que isto se torna um grande salto de otimismo, o de imaginar que um mundo assim poderá emergir de nossa sociedade obcecada pelo consumo e pela acumulação de bens.
O livro de Saadia pretende avaliar as possibilidades de chegarmos a esse mundo utópico, usando os enredos de episódios das séries e dos filmes de Star Trek como ponto de partida para estimular a discussão, bem como ideias de pensadores como Adam Smith e Jeremy Bentham. Talvez o resultado não seja um tratado fundamental de economia ou política financeira, mas poderá ser uma leitura interessante.
Segundo Saadia na sociedade de Star Trek, a natureza do trabalho não dependerá mais do consumo, ou mesmo da mera subsistência e que a chave para isso é dissociar o trabalho do pagamento, da recompensa monetária, que é a mensagem da série.
Em entrevista ao Washington Post, o escritor acrescentou que em vez de trabalhar para aumentar sua riqueza ou acumular bens, as pessoas em uma sociedade “anumismática” do futuro se esforçarão para aumentar sua reputação. A recompensa do trabalho será o prestígio. E para conquistar esse prestígio, a pessoa vai se esforçar para ser o melhor capitão de espaçonave da galáxia; o melhor médico; o melhor cientista; o melhor artista, etc. A competição se dará pela mesma distinção. Seria uma meritocracia em sua expressão mais pura, sem as desigualdades sociais de hoje.
Pelo visto, as tecnologias de Star Trek estão se tornando realidade, dia após dia, onde se pode pensar que a sociedade sonhada sem dinheiro talvez não esteja tão distante assim.
Que viver verá!

terça-feira, 20 de março de 2018

Trump e as Barreiras Protecionistas para o Aço


Em mais uma de suas medidas protecionistas, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos,  deixa o mundo globalizado em estado de alerta com essa medida de barreiras tarifárias para o aço; pois ela tem escala global e altera o equilíbrio entre países importadores, como os próprios Estados Unidos, e os países exportadores globais do aço.
Como efeito imediato haverá uma relativa sobra de aço nos principais centros produtores, o que trará, certamente, uma queda nos preços internacionais produto, prejudicando assim, todo o complexo de aço, principalmente, aqueles que dependem diretamente da exportação para os Estados Unidos.
Por outro lado, governos mundo afora tentam se mexer para contrapor às medidas protecionistas de Trump e o Brasil tenta o mesmo através da Organização Mundial do Comércio.
Toda essa movimentação faz sentido neste momento, porém, é algo que leva tempo para uma resolução mais definitiva já que o mundo da negociação, muitas vezes, se apresenta excessivamente burocrático.
Assim, cabe às empresas, de um modo geral, tomar as suas próprias decisões que devam ir de encontro à produtividade; pois neste momento, ganhos de produtividade podem minorar as possíveis quedas de preço do produto.
O Brasil está entre os países que devem ser mais afetados pela medida que intensifica a política da "América em primeiro lugar" que elegeu Trump em 2016; pois um terço do aço exportado no Brasil tem como destino o mercado dos EUA com receita de US$ 3 bilhões, o que faz do Brasil o segundo maior fornecedor do produto para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá.
Por enquanto, o Brasil ficou fora das exceções das taxas, que, neste momento, só beneficiou México e Canadá, os parceiros dos EUA no NAFTA, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte.
Para a agência de risco Moody’s, a medida afeta, mas não dramaticamente, as três principais siderúrgicas do país: Usiminas, CSN e Gerdau sendo que a principal consequência pode ser a de forçar as siderúrgicas a venderem para mercados alternativos, com lucros menores.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão norte-americana de impor sobretaxas ao aço e alumínio vão afetar US$ 3 bilhões em exportações brasileiras de ferro e aço e US$ 144 milhões em exportações de alumínio. Isso equivale a uma massa salarial de quase R$ 350 milhões e impostos da ordem de R$ 200 milhões.
Diante dessas imposições tarifárias cabe à siderurgia uma reflexão sobre o rumo desse segmento, trazendo o foco também para o atual modelo de gestão, assim como para o próprio modelo de produção do aço, já que modificações importantes no consumo estão por vir; haja vista, as mudanças previstas para o seguimento automobilístico que passará por uma revolução, o que, certamente, exigirá um novo redirecionamento dos produtores de aço no mundo, enquanto a China continua sendo uma ameaça permanente.
Além disso, estudos com o grafeno mostram que chegou a vez dos materiais dobráveis. Pois é. O grafeno é duzentas vezes mais resistente que o aço, sete vezes mais leve que o ar, é um excelente condutor de eletricidade e calor, e pode ser transparente e flexível. Trata-se de uma folha plana de moléculas de carbono que está deixando pesquisadores da indústria de tecnologia maravilhados. Com ele, seria possível criar produtos mais finos, flexíveis e com baterias mais poderosas. Isso pode revolucionar a indústria eletrônica, assim como outras mais.